A indicação de cirurgia para retirada da vesícula biliar pode gerar uma série de dúvidas. “É possível viver sem a vesícula?”, “A cirurgia é sempre simples?”, “É preciso mudar completamente a alimentação depois?”.
Essas são algumas das perguntas mais comuns sobre a colecistectomia, procedimento para retirada do órgão. Confira os 3 mitos mais difundidos sobre a cirurgia.
Mito 1 — “Depois de retirar a vesícula, nunca mais vou poder comer gordura”
Não existe uma regra que determine como será a alimentação após a colecistectomia, inclusive em relação ao consumo de alimentos gordurosos. Cada organismo pode reagir de uma maneira diferente à retirada da vesícula biliar.
No período após a cirurgia, algumas pessoas podem apresentar alterações intestinais, como diarreia, especialmente após o consumo de determinados alimentos. Isso ocorre porque, sem a vesícula, a bile produzida pelo fígado vai diretamente para o intestino, não ocorrendo mais uma secreção adicional logo após alimentação, vindo da vesícula.
Essas alterações, porém, podem ser temporárias. Com a adaptação do organismo, muitas pessoas conseguem voltar a uma alimentação habitual e equilibrada. Por isso, a necessidade de restringir determinados alimentos deve ser avaliada individualmente, de acordo com a tolerância de cada paciente.
Mito 2 — “Sem a vesícula, o corpo não consegue digerir os alimentos”
Embora armazene e concentre a bile produzida pelo fígado, a vesícula biliar não é indispensável para a digestão.
A bile participa da digestão das gorduras e continua sendo produzida normalmente pelo fígado após a retirada da vesícula. A diferença é que, depois da colecistectomia, ela passa diretamente para o intestino, em vez de ficar armazenada na vesícula.
Assim, a retirada do órgão não interrompe o processo digestivo. O organismo continua produzindo e utilizando a bile, embora a forma como ela chega ao intestino mude um pouco.
Mito 3 — “A cirurgia de vesícula é sempre aberta, feita com um grande corte na barriga”
A colecistectomia é frequentemente realizada por videolaparoscopia, técnica que utiliza pequenas incisões no abdômen para a introdução dos instrumentos cirúrgicos. O procedimento costuma proporcionar menor trauma cirúrgico e recuperação mais rápida do que a cirurgia aberta.
A cirurgia convencional, ou aberta, também pode ser necessária em determinadas situações. Além disso, durante uma cirurgia inicialmente planejada por videolaparoscopia, pode ser necessário convertê-la para a técnica aberta caso surjam dificuldades ou condições que tornem essa abordagem mais segura. A necessidade de conversão é rara, mas é uma opção frente a dificuldades.
A escolha da técnica depende das características do paciente, da condição da vesícula e das circunstâncias encontradas durante o procedimento.
Fontes:
– Dr. Bruno Hernani
– Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD)
– Society of American Gastrointestinal and Endoscopic Surgeons (SAGES)


